Já diziam os Titãs nos anos 80: ‘Oh! Cride, fala prá mãe, que tudo que a antena captar, meu coração captura’. O primeiro aparelho de TV veio para o Brasil no início da década de 50. Em 1968 o Tropicalismo chega para mudar o status quo da música popular brasileira, e dissemina canções políticas e questionadoras pelos festivais televisionados. Em 1969 a ditadura alcança seu ápice com o decreto do AI-5. Logo depois, é armado o movimento da Jovem Guarda para encobrir os pensamentos revolucionários da Tropicália e apaziguar os jovens com as programações domingueiras da televisão, que mostravam uma juventude bonita e rica.
A mídia dá uma guinada em seu rumo quando o rádio deixa de ser o principal comunicador e perde o posto para a televisão: é o começo da era de ouro das emissoras Excelsior, Tupi e Globo.
O comportamento do coletivo, do grupo que vai às ruas cantar a mesma canção de protesto é censurado para dar lugar ao indivíduo, ao herói solitário que luta pela sua própria causa: ‘Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vá pro inferno’. Com o marketing dos mocinhos e donzelas da Jovem Guarda, chega para o marketing de marcas a oportunidade de crescimento ao patrocinar o estilo pseudo-bandidinho destes falsos revolucionários, representados pela figura mor de Roberto Carlos.
A televisão alcançou o título de maior comunicador por fornecer informações às massas que não tinham acesso aos jornais e que estavam perdendo o hábito de ouvir rádio. Se tornar o maior veículo de mídia foi pura conseqüência, já que a propaganda vai para onde a audiência está.
A população se tornou amiga íntima do aparelho de tv. Envelheceram com ela e passaram este hábito para seus filhos. Os jovens da década de 80, filhos dos militantes da ditadura, deram o último grito de protesto, pois, aprenderam com seus pais o valor do engajamento político. Era a chamada Geração Coca-Cola, que apesar de beber o refrigerante usava a marca como crítica para a sociedade.
Os anos 80 tiveram o boom da comunicação, em mídia, conteúdo jornalístico e em programação. Essa mesma televisão que promoveu a derrota de Lula para Collor, e que o elegeu em 2002. Nos anos 90, com a estabilidade do real, se inicia a era das condições imperdíveis de pagamento e a fobia a preços dos publicitários.
Nos anos que permearam o final do século já se ouvia as promessas de inovação que a internet traria, o suficiente para anunciarem o fim iminente do jornal impresso, entretanto, cinco anos depois o jornal ainda não foi totalmente substituído.
Atualmente, vivemos a década da internet, apostamos muito neste meio, mas, é possível encontrar profissionais da comunicação que sequer sabem ler (no sentido de reconhecer, valorizar) os resultados dos investimentos digitais. Ou pior, têm medo de investir em algo tão fugaz quanto uma impressão e preferem a segurança palpável de um papel off set ou de um controle remoto. Que ironia pensar que apesar de todo o futuro promissor da internet, daqui alguns meses já estarão disponíveis para venda os celulares habilitados em receber o sinal da TV Digital, ou seja, no final sempre voltaremos para o mesmo meio criado há várias décadas.
Nosso público se julga tão antenado, mas não consegue enxergar uma peça on-line a não ser que ela pule diante de seus olhos. Em compensação, basta ligar uma TV em qualquer ambiente, com ou sem som, P&B ou colorida, com qualidade de imagem digital ou de Bombril na antena, que vários olhares são capturados. É como dizem: ligou a TV, acabou a amizade.
Somos uma geração que muda de mote a cada nova Tendência de Estação. Queremos ser tão futuristas, mas exaltamos a nostalgia do retrô. Não conseguimos nos identificar com nenhuma grande figura da sociedade, na realidade, somos os grandes astros de nossas próprias vidas. A cultura do indivíduo iniciada na Jovem Guarda foi perpetuada pelo capitalismo de tal forma que nossa geração é incapaz de ser crítica e/ou ativa em benefício da sociedade. Somos a geração do iPhone, que coloca o fone em seus ouvidos e se desprende do mundo, que cria sua própria trilha sonora, enquanto imagina ser um pop star caminhando pelas ruas de São Paulo. No fundo, o que todos querem é ser Artista de Televisão.
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Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras.