sexta-feira, 24 de julho de 2009

BOLSA CULTURA - QUAL SUA OPINIAO?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Projeto de lei cria moeda para adquirir bens culturais. Cartão magnético tem valorização de 10 vezes o investimento do trabalhador
A percepção de uma “parceria” entre o Ministério da Cultura e o Congresso Nacional entrou em fase decisiva, com a assinatura ontem do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no projeto de lei que cria o vale-cultura. “Alguns parlamentares dizem que é o ano da cultura no parlamento, pelo número de tramitações. Há uma possibilidade de que o vale possa vir a ser consensual. A política comporta a fricção permanente entre governo e oposição, mas creio na análise responsável da oposição”, vislumbra o ministro Juca Ferreira.
O projeto - que, via cartão magnético, pretende dar poder de inserção de 16 milhões de trabalhadores junto ao consumo de cultura - estava incorporado às análises de mudanças na Lei Rouanet, mas ganhou autonomia, visando maior agilidade. Pela proposta dos benefícios, R$ 600 milhões mensais devem esquentar tanto a venda de produtos como livros e CDs quanto a aquisição de ingressos para salas de cinema e espetáculos.
Como explica o ministro, o “projeto de lei é extremamente saudável, por estar fundando um novo modelo de financiamento - está financiando o consumo cultural - a inclusão social pela cultura”. O benefício de R$ 50 (destinado, preferencialmente, a empregados com renda bruta de até cinco salários mínimos) poderá ser instrumento para empresas que acusem lucro real. A partir do gasto de R$ 5, os trabalhadores veem, por meio do vale-cultura, o dinheiro ser multiplicado para R$ 50. Por trás da mágica, está a dedução de até 1% do imposto de renda devido pela empresa que aderir ao mecanismo.
Juca Ferreira ainda aponta para a transparência do uso do vale e para a facilidade de acesso a dados dos consumos, com o mapeamento das “preferências populares”. “O trabalhador terá liberdade absoluta de usar no filme, na peça de teatro a que quiser assistir, ou no livro a ser comprado. Esses dados vão revelar estruturas e, certamente, orientarão o governo em suas políticas públicas e terão interferência no mercado -, cada linguagem querendo puxar o consumidor para sua atividade”, analisa. Visto como “um casamento entre as artes e o seu público”, o vale-cultura ressalta a figura do público, capaz de realimentar o financiamento das atividades que forem mais bem-sucedidas.
Ambiente qualificado
Assinado ontem pelo presidente Lula, em cerimônia com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o projeto de lei, entra em nova fase, que depende de discussões parlamentares. Com perspectivas de vê-lo implantado até o final do ano, Juca Ferreira diz que a estratégia para ver a medida, apta a qualificar o ambiente de trabalho, aprovada se baseia na convocação à lucidez e ao bom senso geral. “O ato de ontem teve participação de mais de duas mil personalidades, entre políticos, senadores, deputados, governadores e artistas de primeira linha. Já temos demarcado um forte início para a aprovação. As lideranças sindicais já se manifestaram todas favoráveis, inclusive as centrais patronais e de servidores públicos”, comenta Juca Ferreira. No Congresso, a oposição tende a estudar o projeto antes de se posicionar contra ou a favor. “A intenção de facilitar o acesso das pessoas aos eventos culturais é merecedora de aplausos. A tarefa do Congresso será apreciar, debater e aperfeiçoar”, observa o senador e líder do DEM no Senado, José Agripino Maia.
Há uma possibilidade de que o vale possa vir a ser consensual. A política comporta a fricção permanente entre governo e oposição, mas creio na análise responsável da oposiçãoJuca Ferreira, Ministro da Cultura
O númeroR$ 7,2 bilhõesValor de impacto anual no consumo de cultura, a partir do vale-cultura
Entenda a proposta
Assinado pelo presidente Lula, o projeto de lei visa a implantação do vale-cultura.
Por meio de cartão magnético (em casos excepcionais, via material impresso), o trabalhador (preferencialmente, aquele que ganha até cinco salários mínimos) adquire o benefício.
São, inicialmente, R$ 50 destinados à aquisição de ingressos (em cinemas, teatros e shows) ou compra de CDs, DVDs e livros. O empregado arca com R$ 5 e a empresa (com lucro real), mediante renúncia fiscal, deduz até 1% do imposto de renda devido.
Com faixas de descontos entre 20% e 90%, quem ganha mais do que cinco salários-mínimos terá negociação feita a partir de acordos patronais.
Além do incremento em atividades e empregos e a projeção de salas de espetáculos mais cheias, a medida assinalará as preferências populares, em termos de mercados.
Sem impacto de encargos trabalhistas, as empresas de lucro presumido, já beneficiadas com renúncia fiscal, podem aderir ao vale-cultura, com normas diferenciadas. Sem incidência de seguridade social, elas poderão contabilizar o vale-cultura como despesa operacional.


Ouça podcast com o ministro da Cultura, Juca Ferreira
Participe da enquete “você é a favor de o governo criar um vale-cultura?

Fonte: http://blogs.cultura.gov.br/valecultura/

segunda-feira, 20 de julho de 2009

RAPIDINHAS - NOVO ESPETACULO

segunda-feira, 20 de julho de 2009


Já diziam os Titãs nos anos 80: ‘Oh! Cride, fala prá mãe, que tudo que a antena captar, meu coração captura’. O primeiro aparelho de TV veio para o Brasil no início da década de 50. Em 1968 o Tropicalismo chega para mudar o status quo da música popular brasileira, e dissemina canções políticas e questionadoras pelos festivais televisionados. Em 1969 a ditadura alcança seu ápice com o decreto do AI-5. Logo depois, é armado o movimento da Jovem Guarda para encobrir os pensamentos revolucionários da Tropicália e apaziguar os jovens com as programações domingueiras da televisão, que mostravam uma juventude bonita e rica.
A mídia dá uma guinada em seu rumo quando o rádio deixa de ser o principal comunicador e perde o posto para a televisão: é o começo da era de ouro das emissoras Excelsior, Tupi e Globo.
O comportamento do coletivo, do grupo que vai às ruas cantar a mesma canção de protesto é censurado para dar lugar ao indivíduo, ao herói solitário que luta pela sua própria causa: ‘Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vá pro inferno’. Com o marketing dos mocinhos e donzelas da Jovem Guarda, chega para o marketing de marcas a oportunidade de crescimento ao patrocinar o estilo pseudo-bandidinho destes falsos revolucionários, representados pela figura mor de Roberto Carlos.
A televisão alcançou o título de maior comunicador por fornecer informações às massas que não tinham acesso aos jornais e que estavam perdendo o hábito de ouvir rádio. Se tornar o maior veículo de mídia foi pura conseqüência, já que a propaganda vai para onde a audiência está.
A população se tornou amiga íntima do aparelho de tv. Envelheceram com ela e passaram este hábito para seus filhos. Os jovens da década de 80, filhos dos militantes da ditadura, deram o último grito de protesto, pois, aprenderam com seus pais o valor do engajamento político. Era a chamada Geração Coca-Cola, que apesar de beber o refrigerante usava a marca como crítica para a sociedade.
Os anos 80 tiveram o boom da comunicação, em mídia, conteúdo jornalístico e em programação. Essa mesma televisão que promoveu a derrota de Lula para Collor, e que o elegeu em 2002. Nos anos 90, com a estabilidade do real, se inicia a era das condições imperdíveis de pagamento e a fobia a preços dos publicitários.
Nos anos que permearam o final do século já se ouvia as promessas de inovação que a internet traria, o suficiente para anunciarem o fim iminente do jornal impresso, entretanto, cinco anos depois o jornal ainda não foi totalmente substituído.
Atualmente, vivemos a década da internet, apostamos muito neste meio, mas, é possível encontrar profissionais da comunicação que sequer sabem ler (no sentido de reconhecer, valorizar) os resultados dos investimentos digitais. Ou pior, têm medo de investir em algo tão fugaz quanto uma impressão e preferem a segurança palpável de um papel off set ou de um controle remoto. Que ironia pensar que apesar de todo o futuro promissor da internet, daqui alguns meses já estarão disponíveis para venda os celulares habilitados em receber o sinal da TV Digital, ou seja, no final sempre voltaremos para o mesmo meio criado há várias décadas.
Nosso público se julga tão antenado, mas não consegue enxergar uma peça on-line a não ser que ela pule diante de seus olhos. Em compensação, basta ligar uma TV em qualquer ambiente, com ou sem som, P&B ou colorida, com qualidade de imagem digital ou de Bombril na antena, que vários olhares são capturados. É como dizem: ligou a TV, acabou a amizade.
Somos uma geração que muda de mote a cada nova Tendência de Estação. Queremos ser tão futuristas, mas exaltamos a nostalgia do retrô. Não conseguimos nos identificar com nenhuma grande figura da sociedade, na realidade, somos os grandes astros de nossas próprias vidas. A cultura do indivíduo iniciada na Jovem Guarda foi perpetuada pelo capitalismo de tal forma que nossa geração é incapaz de ser crítica e/ou ativa em benefício da sociedade. Somos a geração do iPhone, que coloca o fone em seus ouvidos e se desprende do mundo, que cria sua própria trilha sonora, enquanto imagina ser um pop star caminhando pelas ruas de São Paulo. No fundo, o que todos querem é ser Artista de Televisão.
As idéias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras.